domingo, 6 de abril de 2008

Senhor piedade!

Pedras são sempre estáticas, imóveis, insosas, inóquas. Pedras só servem para fazer peso na bagagem e bagagens pesadas causam graves danos à coluna. Bagagens pesadas são verdadeiros martírios, tornam-se incômodas. E aí lá vem aquele ar de reclamação.Reclamação é sempre a maneira mais fácil e prática de pegar as coisas mais feias e pesadas que acontecem em nossas vidas e jogar pra fora. É mostrar que estamos insatisfeitos e que não concordamos com certos absurdos que certas histórias nos impõem.
O que há de irônico nisso tudo é que somos nós mesmos que catamos essas pedras e as guardamos como verdadeiros tesouros dentro de uma mochila muito colorida chamada ilusão. São nossos tesouros, nossos desejos mais secretos e sagrados. Há quem se atreva a ser insano e questionar se essa mochila tão colorida é mesmo tão valiosa.
Sempre houve hereges, loucos de pedra que questionaram se algumas certezas eram mesmo tão certas. Pobre desses mortais queimados nas fogueiras da intolerância alheia. Afinal, o mundo nunca fora redondo e após o oceano oque havia mesmo era abismo.
“ Vamos pedir piedade, senhor piedade pra essa gente careta e covarde!”
Hoje me proponho a ser herege, rebelde e abandonar minha mochila colorida. É com dor e orgulho que deixo minhas pedras. Minha coluna já começou a apresentar os danos já citados. Como nunca gostei do mais fácil farei diferente, não vou reclamar. Vou abdicar. Vou sorrir e professar que o mais belo do fim é a possibilidade do recomeço. A possibilidade do novo, de fazer diferente e melhor.
Chico de tão sabido que é já ousou a cantar certa vez: VAI PASSAR. E você que inventou a tristeza por favor tenha a fineza de desinventar, que de tanto escutar acabei acreditando que sorrir é sempre o melhor remédio. Mesmo que seja sorrir de si mesmo. Sorrir porque já não se pode mais chorar.
Quero banho de sal grosso, flor enfeitando a bancada, barriga doendo de tanto gargalhar. Quero bom dia, quero pôr do sol, quero cheiro de chuva, quero sundae de ovomaltine. Quero ser diva, quero ser amiga, quero ser forte, quero minhas raízes, minha fortaleza de sempre. Quero minha mãe, quero meu pai, quero meu brinquedo, quero ser criança.
Quero você que já me ouviu gritar, esperniar e fazer juras que jamais poderiam ser cumpridas. Quero viver, quero construir meu castelo, quero meu príncipe em seu cavalo branco, mesmo que ele não exista. Quero, quero, quero. Quero vida, quero paz, quero amor.
- E aquela pedra no caminho?
- Ah, aquela pedra furou. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
- Ih, furou! E agora?
- Ah agora? Estou indo embora no meu cavalo alado que me espera logo ali. Onde sou só sorriso e energia.

4 comentários:

Carol Montone disse...

querida
que orgulho de ti...que texto bonito, honesto ....irreverente...bem você amiga....bem seu...adorei o blog...este azul é lindo...gostei demais da metáfora da mochila e da ilusão... e a brincadeira com as pedras ficou demias..já dizia Drummont.."no meio doc aminho tinha uma pedra..." e a gente acrescenta...e daí???
mil beijosss
te adoro
bem vinda ao universo blogueiro
Carol Montone

Carol Montone disse...

ah e obrigada claro por linkar o céu...beijosss coloridos e leves..sem nenhuma pedra para ti
carol

Rafaella Coelho disse...

Lú querida!
Te achei por aqui mostrando para o mundo os seus talentos literários. Parabéns!
Beijos e SwáSthya!

Pri Ramos disse...

Oi Lú, te encontrei por aí no mundo dos blogs! Adorei as citações de cazuza e chico, heheh. parabéns pelos textos.
Beijos e SwáSthya!