quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vácuo


Vácuo. Acredito que o ser humano não esteja preparado para lidar com o vácuo. Vácuo de idéias e de justificativas.
Há a necessidade constante de tapar buracos. Creio que essa busca se deva ao fato de não acreditar ou talvez não suportar as ausências.

Lendo um texto outro dia me deparei com alguns questionamentos quanto à natureza das divindades e seu caráter onipotente. Ou em contrapartida o caráter bem próximo do homem de alguns deuses da mitologia grega.
Acredito que mais uma vez essa questão da existência de um Deus seja um pretexto para ocupar um vácuo onde as perguntas não encontram respostas. Seria uma forma de transferir a responsabilidade daquilo que não está ao nosso alcance para as mãos de uma entidade maior.

Não se trata aqui de descrença e muito menos falta de respeito pela fé alheia. O único ponto que questiono é que se de fato há um Deus, ele não deve ser discutido e muito menos motivo para discórdia. Se Ele realmente existe creio eu que seja composto de energia e isso não se discute. Apenas se sente ou não.

Algumas guerras santas usam como justificativa esse tal Deus, como se ele estivesse muito incomodado com o fato de um pedaço de terra possuir a um povo ou outro. É inevitável mais uma vez cair na questão das justificativas.

Ora, se é em prol de um “bem maior” tudo se justifica. O mais interessante é que aquelas pessoas que consideram “do bem” são sempre as primeiras a vestir a máscara da hipocrisia e usar a religiosidade como artifício.

Alguns episódios recentes vieram a confirmar essas minhas indagações. Vizinhas que agridem uma bela moça só pelo fato de que ela vive e é feliz. Representantes de filosofias que insistem em tentar denegrir a imagem daquele que consideram seu opositor. Em prol de algo que deveria ser maior e divino.

Tudo isso talvez se esclareça pela dicotomia das pessoas que não conseguem enxergar que a vida não é feita de apenas dois lados: bom e mal, amor e ódio. E sim composta de milhares de facetas que não se opõem e sim se complementam.

A pergunta aqui é: e se o mundo realmente fosse constituído de dois polos? Me parece que se um dos dois deixa de existir imediatamente o outro perde sua razão de ser. Então, por questão de sobrevivência é melhor deixar que os dois lados sempre existam e por questão de inteligência é melhor percerber que existem infindos lados.

4 comentários:

Pri Ramos disse...

com certeza, infinitos lados para percebermos, através de infinitos pontos de vista todas as nuances do mundo.
adorei! beijoca

Ela disse...

Eu tenho pavor dos Vácuos, prefiro os sim e os não , ao invés dos quase.

Tenho um ser superior no qual acredito incondicionalmente.
Amei a possibilidade de ver o mundo multifacetado e sob vários prismas.
Bom texto!

Lola disse...

Luciana,
Assino embaixo!! Acho que as pessoas usam o "nome do seu Deus" para tentar se impor aos outros. Ou seja, praticam suas crueldades (em todos os niveis), e como justificativa algo divino, maior que tudo!! Bela desculpa para exercitar o outro polo, que acredito, exista dentro de todos nos.

DE-PROPOSITO disse...

Não se trata aqui de descrença e
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O crer, e o não crer, está relacionado com padrões de cultura.
Felicidades.
Manuel