terça-feira, 5 de agosto de 2008

Das mil e uma sentenças...


Domingo retrasado uma amiga querida, Mônica Montone, foi cronista convidada da Revista de Domingo do jornal O Globo. Seu artigo que carregava o título “ Filho é pra quem pode’ gerou grande repercussão e inúmeros comentários em seu blog Fina Flor.

Alguns desses comentários eram de mulheres indignadas com o artigo publicado. Algumas sugeriam que a escritora procurasse ajuda terapêutica, outros de pessoas mais lúcidas elogiavam a honestidade e simplicidade de seu texto.

O que me causou espanto foram as críticas nada construtivas dessas mulheres que defendiam a maternidade quase como ferramenta de se alcançar a plenitude. Então fiquei me questionando: quer dizer que se eu decidir não ter filhos estarei fadada a nunca ser completa? Será justo e são esperar que alguém nos complete?

Sinceramente esse dentre outros paradigmas me espantam em pleno século XXI. A ignorância alheia não me irrita mas me deixa boquiaberta. Não estou fazendo apologia contra a maternidade e sim contra os arquétipos criados e inseridos na nossa sociedade como verdades absolutas e irrevogáveis.

Realmente me causa estranheza e até mesmo um certo asco aquelas pessoas que proferem e vivem sentenças. Que se limitam a serem as mesmas como se essa rigidez desse algum embasamento e credibilidade às suas verdades tão absolutas quanto um desenho de criança. Recusar-se a entender outro ponto de vista é preocupante, mas repudiá-lo já passa a ser problemático.

Todas as pessoas que conheço que se agarram às suas próprias e insossas verdades são no mínimo duras e confusas. Que fique claro que não defendo que a cada segundo se mude de opinião porque nesse ponto deixa-se o versátil e torna-se bipolaridade ou multipolaridade.

Então quer dizer que lugar de mulher é na cozinha ou no pé de um berço? E os homens têm direito a viver da forma que bem quiserem? Ou ainda será que algumas profissões têm perfil masculino e outras feminino? Então, é também verdade, que homem não chora e é proibido de gostar de rosa? Ou toda atriz é puta, toda unanimidade é burra?

Essas e outras idéias fixas me divertem tamanho seu absurdo. Então vamos lá, vou desconstruir algumas rochas.

Sou vegetariana e não sou anêmica, nem fraquinha, muito menos tenho uma saúde frágil e meu sistema imunológico trabalha da melhor maneira possível. Só me recuso a comer cadáveres.

Pratico Yôga e não sou zen. Essa mania de achar que todo yôgin é tranquilo, calmo e leva a vida só a respirar e meditar é coisa de gente no mínimo desinformada. Também não acredito que para se conquistar o que se almeja tenhamos que passar por alguma espécie de provação e não tenho culpa de transar com um carinha na primeira noite. Isso definitivamente não me torna vulgar.

Vivo em uma filosofia tântrica, que valoriza a figura feminina e sua energia de criação e transformação ainda que esteja claro que vivemos em uma sociedade patriarcal e machista. Tá aí outro paradigma: tantra é uma filosofia comportamental, uma forma de estar na vida e não apenas um veículo para orgasmos múltiplos.

Tampouco fiz meus melhores amigos no bar como se costuma dizer por aí. Curso uma faculdade na área de exatas o que não me impede de ter o bom hábito da leitura e de ler autores que discutam questões humanas.

Os senhores da razão que me perdoem, mas essas convicções arcaicas me colocam a rir. Prefiro admitir que estiva errada a manter uma postura de quem vive com a verdade no ventre.

Porque afinal, o sol não girava em torno da Terra?

6 comentários:

FINA FLOR disse...

queriiiiiida, que texto maravilhooooooooso.

adorei o seu questionamento sobre as idéias pré-estabelecidas e a maneira simples e clara como mostrou que nem sempre o que ´pensam é verdadeiro em relação ao yôga, ao tantra, ao vegetarianismo e em relação a escolha de ter ou não filhos.

fiz um "arremate" da história lá no Fina Flor, passe lá depois e veja.

beijocas

MM.

ps: no próximo post que fizer vou deixar um link para esse seu texto :o)

O Profeta disse...

Ai quem me dera agitar o tempo
Atirar a mágoa à voragem da noite
Arrancar as raízes ao pensamento
Sentir a paz que uma lagoa acolhe


Boa férias


Mágico beijo

Marta disse...

Sabe por vezes as pessoas criam metas que nem para todos são objectivo.
Acho que a maternidade é importante, e de certeza que uma pessoa cresce ao ser mãe, mas se uma pessoa não quiser, não puder ter um filho, não deixa de ser menos por isso.
Por não querer é porque é consciente e sabe que não tem condições para tratar de uma criança, e se não pode tem a adopção como solução.

Por vezes o que um quer, não pode ser aplicado ao mundo inteiro.
Gostei do seu texto, faz muitas questões, e esta foi a que mais me interrogou.

Espero-a no meu espaço :D
Beijinhos

Estava Perdida no Mar disse...

É mais fácil destruir um atômo do que quebrar um paradigma. Infelizmente. O legal é saber que ainda sim certas pessoas topam dar o primeiro passo e não tem medo.
Mas já percebeu que se vc está acima do peso, se vc escolhe não ser mãe, se vc não trabalha, e se escolhe ser dona de casa e não entrar no mercado de trabalho...vc será sempre alguém com problema? Pois é...é complicado lidar com as nossas escolhas, mas é mais ainda complicado aceitar a escolha dos outros.

Ela disse...

Meu respeito e admiração a quem sabe o que quer nesta vida.A quem ja descobriou a missão.
Eu amo ser mãe, acho que na vida deve-se buscar a felicidade. E existem múltiplas formas de.
Com ou sem filhos a gente é feliz.

Respeito as pessoas e suas escolhas.

gostei, pra variar.
beijo

Ana D. disse...

sabes, algumas mulheres que acham que para ser mulher têm se ter filhos , é errado.Hoje ter filhos não é facil, e para quê metê-los neste mundo que vai de mal apior?

PS: adorei o teu blogue ;^)