domingo, 15 de janeiro de 2012

Agora era fatal que o faz de contas terminasse assim..

Triste é quem não se deixa viver com medo de quebrar. Triste é quem para se proteger, adota e se amarra à sua própria fraude. Quem por medo se poda de viver aquilo que realmente interessa. Quem não mergulha em águas profundas, quem não se atreve às marés.

Pior é quem acaba acreditando no personagem que criou e quer que o outro acredite na sua própria farsa, quando está estampado justamente aquilo que se faz questão de camuflar. Quem não se entrega a mares revoltos provavelmente não terá cicatrizes profundas, mas também jamais terá o gozo dos amantes que se entregam a uma noite apenas e nada mais.

O perigo de não se permitir é a possibilidade negada de se conhecer por inteiro, com todos os sabores, ora doce, ora amargo. Ser negligente consigo mesmo talvez seja o oitavo pecado capital, ou o primeiro. O mundo das superficialidades é colorido, mas desmancha no ar com tamanha facilidade como guache na água.

Para ser feliz é preciso que se viva com prudência, mas com audácia. Com olhar de criança curiosa, com amor pela vida, pelas dores, pelos amores, pelos amigos, pela família. Não ser negligente com aquilo que se sente. Saber lidar com o que sobra e o que falta. Com suas próprias mazelas.

Ter responsabilidade para escolher o que se almeja e o que se repulsa. O que se quer e não se quer, ainda que o não querer caminhe na contra mão do senso comum.
Engana-se quem pensa que pode viver ilhado, sem contato. Sartre já dizia que para entender a si mesmo, necessariamente se deve passar pelo outro.

Muitas vezes o outro é espelho do que repelimos em nós mesmos. É uma certa forma de empatia traduzida em repulsa daquilo que se é e não quer ser.

A matemática é bem simples: ou toca, ou não toca.

Um comentário:

Ela disse...

Hora vivas! Que bom te encontrar por aqui e venho para lhe dizer que gosto sempre e muito dos teus escritos.

Assim eu acredito pra vida
... "conhecer por inteiro, com todos os sabores, ora doce, ora amargo"...

Bem vinda ao lar!

beijo