quarta-feira, 2 de março de 2011

Do que pulsa...

É que aquela era a nostalgia agridoce de quem se debruça sobre as palavras em uma tentativa de colocar em ordem o que vai no peito e escorre entre os dedos. Seria possível revisitar sensações quando nem mesmo se lembra das mais diversas e adversas situações que as causavam?

Seria aquilo tudo uma grande ironia para mostrar que no fundo o objeto do desejo se confundiu com o desejo mais íntimo de querer desejar? Poderia se reconhecer no meio daquele turbilhão misturado entre calmaria e marés? Poderia alguma hora parar de se indagar e apenas sentir?

Porque havia algo de gozo misturado naquilo tudo. Das coisas que se sentem com a alma e uma vez registradas tornam-se inesquecíveis e palpáveis demais. Daquela realidade que faz sentir viva, da altivez de todos os seus anseios que semeia em seu ventre bem como sua vaidade.

Porque toda mulher carrega consigo o desejo mais íntimo de ser desejada e desejosa. De ser rainha e plebéia. Era ele que a fazia sentir assim ou era ela que o usava com o pretexto de sentir aquilo tudo?

Era mesmo necessária uma explicação perdida entre todas as interrogações? Ou poderia apenas admitir que a vida inteira seria assim: mais perguntas que respostas? Uma vez dadas as segundas, imediatamente surgem novas primeiras.

Seria esse exatamente o código? A graça não está em abrir o cadeado, mas sim, em procurar no meio da vasta quantidade de chaves qual a única opção adequada? É como se pulsasse algo de querer, de sentir. E isso, somente isso bastasse.

Nunca se sentira mais mulher, mais diva, mais dádiva. Nunca fora tão fértil, como se todo aquele lixo, que antes lhe parecia lixo tivesse sido o adubo necessário para fixar suas raízes. Que de tão fixas lhe permitem alçar o vôo por mais antagônico que possa parecer.

Será que só se liberta quem descobre que por alguma raiz está preso?

7 comentários:

Fernando disse...

Porra, valeu Lulúxo!

Jacinta Dantas disse...

Penso que, na verdade, o Ser feminino é uma composição complexa, carregada de mistérios. E, aqui, no seu texto, vejo que esse universo de possibilidades pulsa...pulsa...pulsa e vai em busca de respostas, até porque as perguntas são infindáveis.

Um abraço

Guilhermé disse...

Não sei, o que sei é que perguntas são sedutoras, respostas reais demais, e nem sempre necessárias...

Bj.

Ela disse...

simplesmente maravilhoso!
Adoro textos que me fazem sentir parte dele, e este conseguiu.

beijo grande!

Carolina Mendes disse...

talvez as raizes nos façam lembrar sempre quem somos e de onde viemos e não nos deixam esquecer onde queremos chegar.

obrigado pela visita.

beijos,
Carol

Emoções disse...

Poetas

Poetas são flores,
Que com o tempo começam a desbrotar,
As pétalas são o pensamento,
Que ao longo vai recitar.


Poetas são estrelas a Brilhar,
As suas luzes vêem do céu,
Que com um toque de magia,
Começam a se esnpirar.

Poetas são águas,
Que vão ao rio a descer,
Vão levando as tristezas,
Que deixaram de viver.

Ela disse...

saudade dos teus escritos!